Desde o final da longa carreira do PlayStation 2, a Traveller’s Tales tem trabalhado com a licença dos bonecos e blocos de montar da dinamarquesa LEGO para adaptar franquias como Harry Potter, Indiana Jones, Pirates of the Caribbean e Star Wars.

Dessa vez, é a vez dos bonequinhos amarelos assumirem o papel da Sociedade do Anel e dos habitantes da Terra-Média em LEGO The Lord of the Rings, game que conta toda a aventura de Frodo Bolseiro desde a sua saída no Condado até à chegada às Montanhas da Perdição.



Gigantesco como o universo de J.R.R. Tolkien, a desenvolvedora se esforçou para criar um jogo fiel à série, mas capaz de, ao mesmo tempo, agradar aqueles que têm pouca ou nenhuma familiaridade com a série. Será que tudo isso faz valer essa viagem à Terra-Média ou é melhor deixá-la para lá?

Um dos maiores destaques de LEGO Lord of the Rings está na adaptação da gigantesca trama presente na trilogia de O Senhor dos Anéis. Em cerca de oito horas, o game apresenta fases que adaptam muito bem os principais eventos dos filmes. Tudo isso de uma maneira que concilia o bom humor da série LEGO e a seriedade necessária em determinados momentos da narrativa.

Além da fidelidade da retratação dos personagens e ambientes, é interessante notar também a criatividade da equipe de desenvolvimento para transformar alguns episódios da saga de Frodo em fases espetaculares e divertidas.
Desde o primeiro encontro com os Nazgûl até as batalhas contra legiões armadas com olifantes, o game e bastante dinâmico e incrivelmente bem adaptado. Reviver os principais momentos da saga reimaginados com os blocos de montar é uma experiência incrível e capaz de surpreender até mesmo aqueles que não são versados no universo de Tolkien

A ideia de um mundo servindo como hub não é nova nos games da série LEGO. Em Pirates of the Caribbean havia um enorme porto que permitia aos jogadores, além de selecionar as fases inspiradas em cada um dos quatro filmes da série, realizar diversas tarefas e atividades, assim como adquirir personagens e itens secretos.
Apesar de esse e outros hubs presentes na franquia LEGO já serem bastante grandes, The Lord of the Rings eleva isso a outro nível ao oferecer uma versão da Terra-Média completa para cumprir esse papel.

Desse modo, além de todas as fases inspiradas nos eventos da trilogia, os jogadores podem a qualquer momento perambular pelos locais onde já passaram em busca de novos segredos e itens escondidos. O tamanho do território é tão grande que desta vez a Traveller’s Tale criou pontos de teletransporte entre cada localidade para facilitar o trânsito entre as regiões.

Se há algo que não muda na franquia LEGO (e devemos agradecer à Traveller’s Tale por isso) é o fato de que os games da série possuem um dos melhores cooperativos. Como há pelo menos dois personagens em cena sempre, ter a ajuda de um segundo jogador para integrar a sua sociedade do anel particular é uma verdadeira mão na roda.
Além disso, o design do game contribui e incentiva a cooperação entre os dois jogadores, criando oportunidades para que a dupla trabalhe em conjunto utilizando as habilidades distintas de cada personagem – algo que só aumenta a diversão e recompensa o trabalho em equipe

Ok, a Guerra do Anel já acabou, você já visitou toda a Terra-Média e o Um Anel já foi destruído. O que ainda dá para fazer? Muita coisa! Como de costume na franquia, completar o modo história habilita o Free Play: um modo especial no qual todas as fases podem ser visitadas com qualquer personagem. Isso possibilita que os mais empenhados visitem cada estágio novamente em busca de segredos escondidos.
Caso isso não seja o bastante, cada localidade específica do hub da Terra-Média também esconde seus próprios segredos, como personagens secretos que podem ser comprados, e blocos de Mythril – os quais substituem os tradicionais blocos dourados presentes em outros games LEGO e são utilizados como matéria-prima para diversos equipamentos especiais.

Tudo isso resulta em conteúdo o suficiente para preencher pelo menos 30 horas de jogo para os aficionados que quiserem obter os 100% do game. Uma experiência recompensadora não apenas por conta das conquistas (ou troféus), mas também pelo prazer de descobrir bônus como uma fase secreta na qual é possível controlar dois grandes vilões da história. Nada como receber algo em troca após tanta exploração.Apesar de todas as suas qualidades, a franquia de games LEGO também é conhecida por alguns problemas que, apesar de menos frequentes, continuam aparecendo. É o caso de quedas bruscas na taxa de quadros durante os momentos de maior intensidade e pequenos bugs que atrapalham a jogabilidade.



Apenas para exemplificar o último item, logo após a Sociedade do Anel ter sido formado, o boneco de Legolas (que estava sendo controlado pela inteligência artificial) caiu em um rio. Continuando a jornada sem perceber a queda do elfo, cheguei a um local que precisava de sua habilidade especial para poder ser atravessado. Ao tentar retomar o seu controle, qual não foi a minha surpresa (e frustração, posteriormente) ao descobrir que Legolas estava preso em um ciclo eterno de morte e ressurreição sobre um rio. Triste, para dizer o mínimo.